quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

"Diga-me o que veste, e eu lhe direi quem és"


À princípio moda e música parecem coisas completamente distintas, mas se partirmos para uma análise mais complexa sobre o assunto podemos enxergar as duas coisas como aliadas. Se levarmos em conta a frase “A moda é o cérebro por fora” do autor Maurício Azevedo, podemos entender que é possível definir o gosto musical de uma pessoa através daquilo que ela está vestindo. Mas isso seria realmente correto?
Atualmente é grande a diversidade de gêneros musicais predominantes, existe o hardcore, emocore, reggae, rap, hip hop, funk, pop, pagode, eletrônica, enfim, a cena musical pode ser dividida em diversas categorias e me parece que fica cada vez mais difícil desvincular o gosto musical de uma pessoa da maneira como ela se veste. Uma prova disso é que se eu disser para você que sou roqueiro, na mesma hora você irá vincular a minha imagem com a de uma pessoa que se veste toda de preto, tem o cabelo grande e o corpo repleto de piercings e tatuagens.
É exatamente essa identificação social através daquilo que se veste que coloco em questão. Que cada pessoa, principalmente entre os mais jovens, segue um estilo de acordo com a "tribo" a qual pertence é um fato, mas será que isso segue um padrão? Será que todo roqueiro se veste de preto, todo sambista usa sapato branco e todo “regueiro” usa rastafari? Se for assim então também não estaríamos errados se disséssemos que quem usa preto escuta rock, quem usa sapato branco escuta samba e quem tem rastafari escuta reggae. Devemos ter muito cuidado com análises tão generalizantes, ainda mais se pensarmos que as identidades sociais são múltiplas e fragmentadas, o que possibilita a cada indíviduo apresentar diferentes estilos, representando variados papéis na sociedade. Por isso uma pessoa pode ser funkeira e gostar de se vestir de acordo com este estilo musical, mas se for advogada não iria a um tribunal vestida de "calça da Gang" (assim espero..), pois a situação exigiria uma roupa mais formal.
Essa ligação entre moda e música talvez tenha se dado no início da década de 70 quando a estilista Vivienne Westwood casada com o produtor da banda punk Sex Pistols, tornou-se a responsável pelo look da banda, tornando assim o estilo punk algo comercial. E não é por acaso que atualmente vemos tantos grupos tendo todo o figurino de suas turnês patrocinados por estilistas famosos, como é o caso das SpiceGirls e da Jennifer Lopez que em seus shows desfilam com modelos do estilista Roberto Cavalli. Isso acaba sendo mais um exemplo de como o casamento entre passarela e música é perfeito e bem explorado pelos artistas.
Porém fica aí a dúvida, seria então a categorização musical da moda apenas um fruto do marketing ou realmente uma forma de distinção, tendo a vestimenta como um aliado para diferenciar tantos estilos?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

“A Prada dos Reality TV”


Qual reality show tem um elenco tão heterogêneo e criativo, com um júri que faz de tudo para aparecer mais que os competidores? Que consegue combinar intrigas, competição voraz e fofoquinhas de bastidores, sem a sisudez de O Aprendiz? E ainda que conta com uma apresentadora que é um colírio aos olhos de qualquer um, mas não se comporta como uma "porta"? Contando com a dose certa de cada elemento necessário para fazer um reality de sucesso, Project Runway, é, sem dúvidas, um dos melhores reality shows da atualidade, sendo considerado pelo The New York Times como “a Prada dos programas de reality TV”.
O programa é produzido no Estados Unidos pela BravoTV e está na 4ª temporada. No Brasil, o canal por assinatura People+Arts é quem o exibe - atualmente reapresentando a 3ª temporada. Apresentado pela supermodel alemã Heidi Klum, uma das “angels” da Victoria Secret, Project Runway é uma competição entre 15 estilistas emergentes que tem como desafio a cada semana produzir um modelo baseado na temática dada pela produção do programa. Ao final de cada episódio há um desfile com as produções dos competidores, no qual o júri faz uma análise e elimina um participante. “Auf Wiedersehen” (Adeus, em alemão), diz a simpática Heidi sempre que cumprimenta o participante eliminado da semana.
O júri é formado pela própria Heidi, pelo estilista americano Michael , pela editora da Elle Magazine Nina Garcia e por um convidado. Apesar de terem papel central em qualquer reality de competição e sempre tecerem comentários ferinos, em Project Runway os jurados se colocam como coadjuvantes, gastando seu tempo em realmente avaliar o trabalho dos competidores, em vez de ficar tentando atrair os holofotes para si, como Paula Abdul em American Idol.
Os participantes, sempre orientados pelo ótimo Tim Gunn (chefe do programa de design da Parsons School), competem entre si com o objetivo de chegar na fase final do programa, que premia os melhores estilistas (na 1ª e 2ª temporadas foram três finalistas) com um desfile de uma coleção inteiramente criada por eles nas famosas passarelas da Semana de Moda de NY. Além disso, o campeão do programa ainda ganha um carro zero quilômetro e uma premiação em dinheiro que tem o intuito de ajudar o vencedor a montar sua própria marca.
Uma ótima opção de entretenimento para uns. Uma chance de observar todo o processo de criação de moda para outros. E a soma desses dois elementos para a maioria. Por tudo isso, Project Runway vem sendo aclamado por público e crítica. É uma pena que às vezes o programa sofre com o problema das “grades voadoras” das TVs fechadas, sendo mudado de horário ou reprisado sem qualquer aviso. Apesar disso, vale o esforço! Nem que seja só pela Heidi...

Project Runway
People+Arts
Quintas: 21h

O que não é a moda, heim?



É engraçado perceber como que, realmente, a moda dita comportamento e atitudes de forma cada vez mais presentes na vida das pessoas, ainda que elas nem percebam. Nós que nos interessamos por pensar (quase) tudo relacionando com esse fantástico mundo fashion, percebemos que uma vez mergulhado nesse mundo, não há mais volta. Depois de experimentar um jeans incomparável e uma sandália poderosa, que te façam sentir a pessoa mais in do universo, são raras as mulheres que conseguem retomar sua vidinha preta e branca de antes. Aquela sensação é imcomparávelmente gostosa, para ser vivida apenas uma vez.
Não importa que não tenha dinheiro para as grifes mais famosas ou que não tenha muito tempo para "perder" andando pelos shopping e apreciando vitrines. O que realmente interessa, é que você descubra o que lhe cai bem, saiba usar roupas apropriadas a cada ocasião e consiga chegar a sentir-se a pessoa mais linda, querida e poderosa do mundo porque comprou um cinto novo nas cores e modelo da estação. =)
E nesse sentido, não é dificil combinar uma saída numa noite quente de sábado com as amigas e as três se encontrarem vestindo calça skiny e sapatilha, sentindo-se as rainhas do baile. hehehe

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O estilo de Vanessa da Mata

A cantora Vanessa da Mata parece já ser uma artista consolidada na Música Brasileira, trazendo um estilo único, ela encanta a seus fãs com uma estética que remete a divas da MPB. O cabelo "rebelde" e a voz -ora aveludada, ora portentosa- lembram a Gal tropicalista. Os vestidos longos e a ode à delicadeza trazem o espírito de Maria Bethânia. No palco, ela está descalça, se movimenta em rodopios, misto de deusa do candomblé ou hindu, algo Clara Nunes, tudo muito "raiz", multicultural (Hippie de butique??). Agora, no finalzinho do mês de outubro, a intérprete matogrossense fez uma apresentação no programa do Faustão, que é mais uma prova de que já consquistou muitos fãs... Com carisma e atendendo ao gosto do público, ela apresenta um perfil de "cantora de multidões", mudando o patamar de sua carreira, antes restrita a redutos descolados e a locações modestas. Depois disso, tenho ouvido vários comentários a respeito do lindo vestido longo que ela usou na tal apresentação. Apesar de não ter conseguido descobrir se ele foi produzido por seus estilistas de costume: Isabela Capeto e Nina Becker, acabei encontrando um vídeo no qual ela aparece com o vestido enquanto canta: Good Luck (música em parceria com Ben Harper). Bom, eu gostei do vestido realmente. Quem tiver coragem de encarar alguns minutos do Domingão do Faustão, tá aí:

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Björk

Essa postagem foi inspirada pelo furor causado pela apresentação da cantora islandesa Björk na última sexta feira, dia 26/10, no Tim Festival no Rio de Janeiro. A musa da música alternativa se tornou uma figura mítica, entre diversos fatores, por apresentar um visual bastante chocante, utilizando seu corpo como forma de expressão artística, demonstrando ser uma artista de múltiplas influências. Essa originalidade (característica que lhe rendeu o título de "pessoa mais excêntrica", segundo uma pesquisa da rede de TV BBC) e seu conseqüente sucesso, nos leva a uma questão central dentro do universo da moda: o que é mais interessante, estar dentro dos padrões de beleza das passarelas ou possuir um estilo próprio? Nós do Mídia na Passarela acreditamos que há um meio termo entre essas duas atitudes. Admiramos o exotismo de Björk, no entanto estamos conscientes que se trata da construção de um personagem. Na tentativa de mostrar como é tênue a linha que separa o cool e o tosco, achamos interessante lembrar do Oscar de 2001, na qual Björk - ao cantar a música tema de Dancer in the dark, filme de Lar von Trier - exibiu um figurino que lembrava um cisne (e recebeu várias críticas pela ousadia). Como é muito subjetivo classificar esse episódio em ridículo ou fascinante, aí está o link para quem quiser conferir: http://www.youtube.com/watch?v=6wDhrVuZjN8


Foto: htpp://guardian.co.uk/music/2007/06/its amateur hour with bjork.html

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Apresentações


Olá! Seja bem vindo ao mais novo blog para discussão de moda e comportamento atrelados a mídia, idealizado por um grupo de alunos da Universidade Federal Fluminense. Como analistas midiáticos, pretendemos problematizar tal tema, propor discussões acerca do mundo da moda bem como dar dicas com relação a mesma, apresentando novas linguagens e debates nesse campo. Pretendemos, ainda, realizar um diálogo das mídias em geral com a questão da moda, consumo e comportamento, e de que maneira a população reage e compra.

Vale lembrar que estamos em fase de criação e experimentação do blog!


Foto: http://www.uniderp.br/CursoSeq/moda.htm (;